
Tudo bem, que os animais são nossos amigos. Que não os devemos abandonar, maltratar, etc,etc;que mal se aviste um sem dono e sem destino, se gere uma corrente de solidariedade tremenda, se contacte todos os SOS's possíveis e imaginários da Protecção dos ditos, e alguns mais venturosos até são levados para casa e dá-se-lhes o tal do lar, tão ansiado... agora, onde está essa corrente humanitária quando passamos pelo jardim e num banco está deitado um homem em farrapos a dormitar, quando atravessamos a estrada e reparamos que uma mulher andrajosa rebusca o lixo, ávidamente, à procura de algo para comer, algo para vestir ou vender ou sei lá p'ra quê, quando à nossa volta seres humanos sem destino e sem dignidade se amontoam na paisagem, que cada vez se torna mais da mesma, mais "não se passa nada, isto é o pão de cada dia",sem ninguém que lhes deite a mão...?????????
É, acordei bem cedo. Fui dar uma caminhada pelo meio da neblina cerrada, o Domingo ainda por acordar, as árvores enormes a pingar orvalho, um verde a despontar lá no alto, mas que não traz salvação cá em baixo...
A sensação de perdição a caminhar ao meu lado e aquela enorme culpa de pertencer aos que têm, como veredicto final, os fantasmas que se encobrem com uma ou outra boa acção no dia-a-dia.
Eu sei. É tão mais fácil levar e tratar e chamar e socorrer um bichinho e ficarmos com aquele gosto bom de que fizemos o que estava certo fazer.