sábado, 18 de agosto de 2012

Andou de roda de mim toda a tarde... a danada. A espraiar as suas asas, seduzindo-me como quem não quer a coisa... estancava por segundos a desafiar os meus instintos, cirandava ao redor, olhos fixos num azul a perseguir, como quem diz, vem...
comigo; vem comigo...
Fez-me companhia lá no alto, aterrando ao de leve como a oferecer-se para ser notada. Fez-me companhia quando trocou risadas ( para mim eram risadas) ao ludibriar-me com poses que nunca consegui captar através da máquina, que alucinada, focava em milhentas direcções.
Por fim, deixou-se cair num esquecimento qualquer, segundos a mirar o horizonte, talvez a rota a seguir, como se eu nem estivesse por ali. Foi aí que... zás! Apanhei-a meio tremida, neste momento de reflexão.
De rabo alçado, levantou vôo e nunca mais lhe pus a vista em cima, pois no fundo, estraguei-lhe a dimensão que a encerrava.
Fiquei só, do meu pedestal, a sentir o peso rouco do oceano...

sábado, 4 de agosto de 2012

A minha mãe não tem facebook.
É do tempo do papel e da caneta.
É do tempo de estar em casa a cuidar de nós: todos. Acima de tudo, do meu pai.
Que por culpa dela se fez menino em vez de se tornar um homem.
O meu pai tem facebook, mas não faz nada sem a minha mãe.
É do tempo de chegar a casa e a casa ser tudo o que ela é: a mãe, a guardadora do lar.
Ele não tem culpa. Ele é apenas o menino dentro da casa, que se fartou de ser
homem lá fora.
Ela é para ele o pilar da nossa casa. A Mãe.
Ele é para ela o chefe de família. O Pai. Mas também um de nós: meninos para sempre
debaixo das suas saias.
Ambos, são o lar que tem a vida lá dentro.
Ambos, são a vida que se crava no nosso lar
como o bem que procura o bem e ainda bem.


Foto retirada da Net.