terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O dia frio, desolado como eu o sinto, puxa para a poesia:
verde, de preferência. E arvoreada de ar e esplendor.
Ou de nada, onde talvez o olhar se encoste, na tentativa
de encontrar aí uma morada.



fotografia de Nuno Abreu, Olhares


O que tentam dizer as árvores
no seu silêncio lento e nos seus vagos rumores
o sentido que têm no lugar onde estão,
a reverencia, a ressonância, a transparência
e os acentos claros e sombrios de uma frase aérea.
E as sombras e as folhas são a inocência de uma ideia
que entre a água e o espaço se tornou uma leve
integridade.
Sob o mágico sopro da luz são barcos transparentes.
Não sei se é o ar se é o sangue que brota dos seus
ramos.
Ouço a espuma finíssima das suas gargantas verdes.
Não estou, nunca estarei longe desta água pura
e destas lâmpadas antigas de obscuras ilhas.
Que pura serenidade da memória, que horizontes
em torno do poço silencioso! É um canto num sono
e o vento e a luz são o hálito de uma criança
que sobre um ramo de árvore abraça o mundo.

Antº Ramos Rosa

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