verde, de preferência. E arvoreada de ar e esplendor.
Ou de nada, onde talvez o olhar se encoste, na tentativa
de encontrar aí uma morada.
fotografia de Nuno Abreu, Olhares
O que tentam dizer
as árvores
no seu silêncio lento
e nos seus vagos rumores
o sentido que têm no
lugar onde estão,
a reverencia, a
ressonância, a transparência
e os acentos claros e
sombrios de uma frase aérea.
E as sombras e as
folhas são a inocência de uma ideia
que entre a água e o
espaço se tornou uma leve
integridade.
Sob o mágico sopro
da luz são barcos transparentes.
Não sei se é o ar se
é o sangue que brota dos seus
ramos.
Ouço a espuma
finíssima das suas gargantas verdes.
Não estou, nunca
estarei longe desta água pura
e destas lâmpadas
antigas de obscuras ilhas.
Que pura serenidade
da memória, que horizontes
em torno do poço
silencioso! É um canto num sono
e o vento e a luz são
o hálito de uma criança
que sobre um ramo de
árvore abraça o mundo.

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