Eu disse ao meu coração, ao meu pobre coração:
─ Não tens vergonha da tua
fraqueza?
A glória, o amor, a pândega, o ouro,
não saberão tentar a tua
preguiça?
Eu disse ao meu coração, ao meu pobre coração:
─ Odeia,
fere, embriaga-te, beija,
bate mais forte, grande cobarde, ou morre
para
sempre de desgosto e tristeza.
Ou talvez já estejas morto, tu, que nem
sabes o que vale
o canto de um alaúde, o estouro de um punhal,
uma clara
noite, uma rosa terna?
E o meu pobre coração, o meu coração
disse-me:
─ Para quê dar mais cinzas ao esquecimento?
E, velho, sorriu-me,
sem perceber nada.
Màrius Torres
Foto de Kaylynn Deveney

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